Enfrentando uma preocupante seca de inverno, o governo de Portugal ordenou na terça-feira (2 de fevereiro) que algumas das barragens hidrelétricas do país limitassem temporariamente o uso de água para produção de eletricidade e irrigação, priorizando o consumo humano.

O Instituto Português de Meteorologia (IPMA) disse que a seca, que começou em novembro de 2021, agravou-se, com 54% do país agora em seca moderada, 34% em seca severa e 11% em seca extrema.

Existem cerca de 60 barragens hidroelétricas portuguesas, que produzem anualmente 30% da eletricidade consumida no país, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis.

Para já, apenas cinco barragens no centro de Portugal devem interromper quase completamente a produção de eletricidade, e uma barragem na região sul do Algarve, uma das zonas mais afetadas pela seca, deve deixar de usar água para irrigação.

O ministro do Meio Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, disse em entrevista coletiva que outras barragens têm água suficiente para compensar as restrições.

“A situação da seca é preocupante”, disse. “Se a previsão ficar mais sombria, teremos que ir além dessas medidas.”

O IPMA disse que as condições de tempo seco provavelmente continuarão em fevereiro.

Matos Fernandes disse que foram impostas regras para garantir o abastecimento de água potável durante pelo menos dois anos se “nem cair uma gota de chuva” em Portugal. Os agricultores já manifestaram preocupação, dizendo que a seca pode afetar “severamente” suas colheitas e gado.

A nova norma

Em 2021, um novo estudo da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique descobriu que a Europa caminha para um futuro com secas mais extremas durante os meses de verão. Estima-se que entre 2080 e 2099, os Alpes, o Mediterrâneo e toda a Península Ibérica possam ver as secas de verão aumentarem pelo menos 50%.

O Fórum Econômico Mundial observou que o estudo demonstra a necessidade de “mitigação rápida da crise climática na Europa”, particularmente a conservação da água.

Também estimou que a porcentagem de secas extremas foi a mais alta, com 96% em julho e 88% em agosto na Península Ibérica.

Magdalena Mittermeier, coautora do estudo, disse: “As mudanças climáticas não mitigadas, sob o cenário RCP8.5, aumentarão drasticamente a frequência, duração e intensidade das secas de verão em muitas regiões europeias”.

“Tais efeitos extremos podem ser evitados pela mitigação climática. É por isso que a mitigação das mudanças climáticas, conforme acordado no Acordo de Paris, é altamente relevante em termos de secas consistentes na Europa”, acrescentou.

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