Miguel Franco de Sousa, presidente da Federação Portuguesa de Golfe, diz que o golfe não deve ser responsabilizado pela grave seca e problemas de gestão da água em Portugal, sobretudo quando “outros setores usam mais água e têm menos impacto na economia e na sociedade”.

O presidente da associação de golfe, assinando um artigo de opinião para o site de notícias Observador, disse que o golfe não pode ser “o elefante na sala” quando se trata de seca.

“Admito que pouco ou nada entendo de gestão de recursos hídricos. Entendo, porém, que o problema da gestão da água não se reduz ao golfe”, escreveu Franco de Sousa.

Indica ainda que mais de metade do território nacional (54%) vivia uma seca moderada no dia 25 de janeiro, com 34% de Portugal a sofrer uma seca severa e 11% a enfrentar uma seca severa.

“Sempre que nos deparamos com este triste fenómeno – que se tem tornado tão frequente – levantam-se vozes críticas em relação ao uso da água nos campos de golfe, especialmente nas zonas mais atingidas pela seca como o Algarve”, disse.

Na sua opinião, são os Ministérios do Ambiente, Acção Climática e Agricultura, e não o sector do golfe, que devem ser questionados.

“O consumo deste precioso recurso natural, cujas quantidades estão em declínio, tem feito parte das agendas políticas nacionais e regionais, mas nem sempre contempla soluções e projetos que contribuam efetivamente para uma melhor gestão dos recursos hídricos, muitas vezes por a falta de disponibilidade financeira”, disse Franco de Sousa.

“Além disso, sem querer ignorar os efeitos da seca, é importante entender os impactos econômicos e ambientais da perda de água nos sistemas de abastecimento público, que perdem 188 bilhões de litros anualmente – o suficiente para regar 400 a 500 campos de golfe”, disse. .

O chefe da FPG apela a “soluções sustentáveis” como a utilização de águas residuais tratadas e a produção de água potável através do processo de dessalinização que pode aliviar as reservas de água do país.

Franco de Sousa deu o exemplo de Espanha, o país da Europa que mais utiliza águas residuais tratadas – cerca de 13% delas – e que também tem mais de 700 estações de dessalinização. Do outro lado do espectro está Portugal, onde apenas cerca de 1,2% das águas residuais tratadas são utilizadas.

Abordou ainda o impacto do golfe em Portugal, nomeadamente na região do Algarve onde representa 13% do valor acrescentado bruto (VAB) da região e tem um impacto económico na região de 500 milhões de euros. O setor também cria cerca de 17.000 empregos, disse ele, com campos de golfe que empregam cerca de 2.000 empregos diretos.

No entanto, considera que os campos de golfe algarvios são muitas vezes injustamente acusados ​​de utilização excessiva de água quando “tomam apenas 6,4% do total da região”, muito menos do que os 56,7% utilizados na agricultura – que tem um menor impacto económico, em cerca de 115 milhões de euros – e 28,6% para o consumo urbano.

Franco de Sousa destaca ainda que os campos de golfe estão a investir na melhoria do controlo e gestão da irrigação para reduzir o consumo de água, enquanto as autoridades regionais e nacionais têm relutado em investir em projetos como centros de tratamento de águas residuais e estações de dessalinização.

Assim, o presidente Golf acredita agora que é hora de o governo agir e começar a implementar “soluções para combater a escassez de água, que existem e têm se mostrado bem-sucedidas”. Ao mesmo tempo, a mensagem de que a água tratada é segura, acredita ele, deve ser divulgada.

Miguel Franco de Sousa, Presidente da Federação Portuguesa de Golfe
Foto: Associação Portuguesa de Golfe

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