Comissário Europeu para os Assuntos Económicos Pierre Moscovici

LISBOA – O comissário para os Assuntos Económicos da União Europeia, Pierre Moscovici, disse que os “esforços extraordinários” de Portugal para as reformas estruturais valeram a pena, mas é preciso fazer mais para colocar a economia de volta nos trilhos.
Embora Portugal tenha voltado ao crescimento após a saída do resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional no ano passado, muitos portugueses, fartos de cortes de gastos e aumentos de impostos, não se sentiram assim.
“A recuperação é frágil, especialmente no emprego, e não há espaço para complacência”, disse Moscovici em entrevista publicada terça-feira no Diário Econômico.
“Há reformas em andamento, mas ainda precisamos fazer mais”, acrescentou, especialmente no que diz respeito à dívida do país, que continua “muito alta”.
A dívida pública portuguesa aumentou em 2014, atingindo 130,2% do PIB face a 129,7% no ano anterior.
O desemprego voltou a subir em fevereiro para 14,1%, de 13,8% em janeiro, segundo dados divulgados na segunda-feira.
Questionado se o governo português conseguirá atingir a meta de cortar o défice de 4,5 por cento para 2,7 por cento do PIB este ano, Moscovici disse que “espera alcançá-lo”.
“Acreditamos que esta meta ainda pode ser alcançada este ano”, disse ele, acrescentando que é muito cedo para dizer se são necessárias medidas adicionais.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está menos otimista, prevendo um déficit de 3,2% do PIB este ano.
Em maio do ano passado, Portugal desistiu do resgate de 78 bilhões de euros (US$ 83 bilhões) oferecido pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional em 2011 em troca de reformas e medidas de austeridade.
A economia portuguesa voltou a crescer em 2014 com uma expansão de 0,9 por cento, depois de contrair 1,4 por cento no ano anterior, mas a população continua descontente com a política restritiva do governo de centro-direita.
No início deste mês, escolas, hospitais, tribunais e escritórios do governo em Portugal foram atingidos por uma greve de um dia convocada por funcionários públicos fartos de seus salários e empregos de austeridade.

Agência de Imprensa da França

By

Leave a Reply

Your email address will not be published.