Um concurso formal para nomear o complexo da Fábrica do Inglês em Silves um “monumento de interesse público” foi feito pela Direcção do Património Cultural (DGPC).

O anúncio foi publicado na semana passada no jornal estatal Diário da República. Segundo a DGPC, a proposta será apresentada ao Secretário de Estado Adjunto do Património Cultural com o objetivo de atribuir o estatuto a todo o complexo, incluindo os seus jardins e o património móvel do museu da cortiça.

O procedimento para conceder este estatuto à Fábrica do Inglês começou há quase três anos em abril de 2019 depois de uma tentativa anterior em outubro de 2018 não ter avançado por falta de prazos.

Esta última licitação ficará em consulta pública por 30 dias. A proposta pode ser consultada nos sites da DGPC, da Direcção Regional da Cultura do Algarve e da Câmara de Silves, ou presencialmente na sede da Direcção Regional da Cultura do Algarve em Faro (com marcação prévia). Os cidadãos podem submeter as suas opiniões ao conselho regional de cultura.

A proposta destaca várias razões pelas quais a Fábrica do Inglês – que foi construída em 1893-94 e serviu de fábrica de cortiça – merece o estatuto de MIP.

Para além do seu significado histórico para a cidade, o complexo destaca-se pela sua arquitetura industrial “incomum” na altura da sua construção.

Depois de quase um século dedicado à produção de cortiça, a Fábrica do Inglês foi comprada pelo grupo Alicoop e transformada num “complexo de animação turística” com restaurantes e espaços para espetáculos ao vivo e a abertura de um museu da cortiça na zona fabril anterior.

No entanto, o complexo foi abandonado quando o grupo faliu em 2010 e permaneceu fechado.

Em 2014, o complexo e os bens do museu foram vendidos em leilão público. Os ativos foram para o Grupo Nogueira – que superou a autarquia – por 36 mil euros, enquanto o banco estatal Caixa Geral de Depósitos assumiu o complexo por 2,2 milhões de euros.

Projeto para construção de hotel de cinco estrelas e reabertura do museu da cortiça continua a avançar
Em 2019, o Resident foi o primeiro a informar que estavam a decorrer negociações para vender o complexo a um promotor privado que iria renovar todo o local e construir um novo hotel de cinco estrelas no seu interior, bem como reabrir o seu icónico museu da cortiça.

A Câmara de Silves confirmou ao Residente que o projeto ainda está na mesa e que a CGD está em processo de venda do complexo a um promotor interessado. A autarquia acrescenta que o projeto de arquitetura foi aprovado em setembro de 2021, depois de o promotor ter feito três pedidos de informação entre 2019 e 2020 – todos aprovados pela autarquia.

A autarquia refere ainda que o novo estatuto de “monumento de interesse público” não afetará de forma alguma o projeto uma vez que a DGPC apresentou parecer favorável, afirmando que “respeita os valores culturais, históricos e arquitetónicos que a candidatura à classificação da Fábrica do Inglês como monumento de interesse público visa salvaguardar e preservar.”

michael.bruxo@algarveresident.com

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