O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, diz que o Mercosul será “modernizado” e que, se algum país se sentir desconfortável com essa posição, seria melhor “retirar-se” do bloco regional.

“Se o Mercosul não se oferece para ser um serviço de plataforma de integração, quem se sentir desconfortável deve sair, porque vamos modernizá-lo. A Argentina disse ‘Deixe sair quem se sentir desconfortável'”, lembrou o ministro.

“Agora, estamos devolvendo isso à Argentina e estamos dizendo para aqueles que se sentirem desconfortáveis ​​que saiam”, disse o funcionário do governo do presidente Jair Bolsonaro, que alertou que o Brasil não “aceitará o Mercosul como ferramenta de definição”.

O ministro brasileiro fez as declarações durante um seminário organizado pela Câmara de Comércio Internacional.

“Há três que querem mudar o Mercosul e a Argentina não”, disse Guedes, referindo-se ao Brasil e aos outros membros do bloco comercial, Paraguai e Uruguai.

“Entendemos que [Argentina] não pode abrir agora, por causa de sua economia complicada, mas dissemos que estamos dando uma renúncia para retornar em dois ou três anos, para que isso não nos impeça de seguir em frente”, acrescentou.

A “modernização” a que alude o ministro brasileiro é uma possível redução das tarifas de comércio exterior do Mercosul. Um debate também está sendo travado sobre a capacidade dos Estados membros de negociar acordos com outros países de forma independente, em vez de negociar como um único bloco.

O Uruguai, sob a presidência de Luis Lacalle Pou, avançou nessa direção por meio de conversas com o governo chinês.

“É uma abertura gradual, segura e irreversível, o momento é agora porque a inflação está subindo, é um bom momento para abrir as importações, um bom momento”, frisou Guedes.

Ele admitiu que o Brasil está “em uma disputa com a Argentina, queremos baixar todas as tarifas este ano e se avançarmos com a reforma tributária, queremos baixar mais 10 pontos no ano que vem”.

Guedes considerou que tanto o Brasil quanto a Argentina “foram prisioneiros de uma plataforma que não é efetiva” e destacou que Uruguai e Paraguai foram os maiores beneficiados com a criação do bloco sul-americano criado em 1991.

“Nossa posição é avançar – não vamos sair do Mercosul”, declarou Guedes.

– VEZES/NA

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