É mais uma desvantagem inesperada e sem importância para a resposta de Portugal à pandemia. Ao abandonar muitos funcionários de escritório em “teletrabalho” (trabalhando remotamente de casa) – por várias semanas complicada pela presença de crianças tentando lidar com seus sistemas de “ensino à distância” – os adultos desenvolveram “distúrbios digestivos”, de “Intestino irritável”, hemorróidas e um pouco mais no meio.

O gastroenterologista Guillerym Macedo falou à Lusa, explicando alguns dos danos colaterais sofridos pelas centenas de milhares de trabalhadores que tiveram de trabalhar a partir de casa.

“Para ser sincero, o ‘teletrabalho’ é um grande obstáculo ao aparelho digestivo”, explica a especialista que chefia o serviço de gastroenterologia do Hospital da Universidade de São João (CHUSJ), no Porto.

“Do refluxo ácido à obesidade, da síndrome do intestino irritável às doenças hemorroidais, esse é o tipo de sofrimento que o teletrabalho promove e não ajudou em nada …”

O também perito Ricardo Marcos Pinto, que trabalha fora do Hospital Universitário do Porto (CHUP), concorda, referindo que cerca de 15% da população portuguesa tem agora de lidar com o intestino nervoso.

Ele o descreveu como uma “manifestação profunda de preocupações diárias”, enfatizando que, desde o desligamento, recebera “muitos pedidos para consultar esse tipo de sintoma”.

“O que vimos nos nossos pacientes foi que pioraram com o teletrabalho, com o facto de ficarem em casa e não poderem sair.” Ricardo Marcos-Pinto, que também dá aulas no ICBAS (Instituto Abel Salazar de Ciências Biomédicas do Universidade do Porto), disse ter visto alguma forma de descompensação associada a doenças como ansiedade e depressão.

A entrevista foi outra tentativa de destacar a necessidade de qualquer pessoa que sofra de distúrbios digestivos procurar aconselhamento médico “mais cedo ou mais tarde” – porque a outra consequência da pandemia é que muito foi “colocado nas costas”, especialmente quando se trata de aos exames médicos de rotina, tanto que, quando as pessoas procuram ajuda, podem estar em “estágios avançados” de várias doenças.

O especialista disse: “Na gastroenterologia, nunca vimos tantas doenças avançadas como as vemos agora. Estamos testemunhando o que não víamos há muitos anos, em estágios muito avançados – às vezes além do tratamento”.

Tal como se confirmou no passado recente (clique aqui), 11 portugueses morrem todos os dias de cancro do cólon, “quando um simples exame de colonoscopia pode evitar estes números”.

natasha.donn@algarveresident.com

By Dinis Vicente

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